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"Não é conveniente a ninguém se tornar escravo de um rígido orçamento que impeça adquirir produtos que, mesmo podendo ser considerados supérfluos, satisfazem amplamente algum sonho de consumo. \n \nPara economizar, ninguém tem a obrigação de sacrificar a felicidade material que certas aquisições têm o poder de gerar. Mas deve ter uma correta noção dos limites e conseqüências, para que o sonho de hoje não se torne o pesadelo de amanhã." \n \n \n"Comer é agradável, é alegria. Nada se festeja melhor que com um bom petisco. \n \nGastar é uma extensão desse hábito original. Se os primitivos só tinham alimento, os modernos têm um enorme elenco de produtos e serviços que dão a mesma satisfação. \n \nGastar é, no fundo, uma forma moderna de comer. A diferença é que comer engorda e gastar emagrece, pelo menos, o bolso." \n \n \nRegime ou reeducação? \nNão é difícil traçar um paralelo entre dois dos maiores problemas que afetam as pessoas e suas famílias neste novo e surpreendente terceiro milênio: \n \nobesidade e inadimplência. Em ambos os transtornos há invariavelmente na origem um descontrole, um compromisso bem intencionado de que a questão será resolvida no menor prazo possível e o descumprimento imediato de promessas feitas da boca para fora, porque comer é muito bom e gastar também. \n \nPara a obesidade há milhares de regimes que nunca dão certo porque as pessoas têm na comida uma forma de recompensa pelas agruras da vida suportadas em sociedade, no trabalho e na vida familiar. Além disso, comer faz parte da porção animal do ser humano que, desde sua origem, dedicava todo o seu tempo e sua disposição em busca de alimentos. \n \nComer é agradável, é alegria. Nada se festeja melhor do que com um bom petisco. Salomão deixou registrado em um livro chamado Eclesiastes que para o homem não há nada melhor que comer e beber e aproveitar o que é bom como recompensa por seu trabalho árduo, pois isso procedia das mãos do próprio Deus. \n \nSem dúvida, era um sábio. \nGastar é uma extensão desse hábito original. Se os primitivos só tinham alimento, os modernos têm um enorme elenco de produtos e serviços que dão a mesma satisfação. \n \nGastar é, no fundo, uma forma moderna de comer. A diferença é que comer engorda e gastar emagrece, pelo menos, o bolso. \n \nPara sair do problema, a solução mágica é reeducação. Reeducar é aprender que pode-se comer bem, de tudo, sem exageros. Evitar a repetição do prato, selecionar a sobremesa menos calórica e, sempre que estiver ingerindo alimento, conscientizar-se do que está fazendo. \nO mesmo se aplica no momento de avançar gulosamente sobre o Cartão de Crédito ou do Cheque Pré. \n \nSaber se não está exagerando e comprar sabendo o que se está fazendo. Simplesmente reeducar-se na hora de comprar, para não ter angústia na hora de pagar. Ou de não poder pagar. \n \nEm ambos os casos, é extremamente importante entender bem como você tem se comportado e fazer seu próprio controle, ao seu gosto. \n \nEsta obra insiste em que a solução do problema das di-ficuldades financeiras só é viável se sinceramente desejada - com heroísmo se necessário - pelo próprio leitor. \n \nCarrega a convicção de que não existe genérico para conselho. Basta que as estatísticas mostrem aumento da inadimplência para que todos os noticiários de rádio e televisão entrevistem economistas aconselhando os devedores a se livrar de suas dívidas. \n \nInvariavelmente, os conselheiros fazem uma comparação entre os juros pagos no Cartão de Crédito e nos Cheques Especiais, recomendando que, se for o caso, o devedor faça uma operação bancária ponte, com juros menores - mas nem tanto - e os pagamentos programados. \n \nA recomendação prossegue: se a despesa, acrescida das parcelas negociadas, foi maior que a receita, siga pelo menos um dos dois caminhos: aumente a receita ou diminua a despesa. Arranje um bico e elimine o consumo de supérfluos. \n \nParece muito fácil para quem recomenda e quase im-possível para quem executa. \nBicos, para a maior parte dos profissionais de classe média, não existem. Especialmente para quem está empregado e tem que cumprir jornada integral. Não dá para fazer uma caixa de engraxate e aproveitar a manhã de sábado ou ir vender sanduíches na saída dos teatros ou clubes da moda. \n \nAlém disso, o desemprego está bravo, também para os quebra galhos. \nDo outro lado, fica a enorme dificuldade em saber o que é realmente supérfluo. Produtos de beleza, para quem quer ou precisa estar bem com o espelho, pode ser mais essencial que o pãozinho francês. \n \nDiante do desafio de cortar gastos, cada qual tem que encontrar seu caminho, com o mínimo suportável de sacrifícios. Nesse caso, não tem roupa comprada pronta que tenha caimento perfeito para todos os corpos. \n \nAqui se concentra o objetivo desta obra. Mostrar o signi-ficado de cada produto ou serviço, a forma de compreender o limite do sacrifício e a esperança de que o leitor se organize racionalmente para buscar a solução de um problema que, por ser comum, pode ter-se tornado uma verdadeira epidemia. \n \nA liberdade da escolha \nA liberdade de escolha pode ser vista como o exercício do livre arbítrio ou simplesmente como desejo pessoal. Esperar o milagre da conversão do saldo negativo do cheque especial ou do cartão de crédito em positivo, é exigir demais do Criador. \n \nSe há um milagre possível é a transformação de um gastador compulsivo em um consumidor comedido. Isso sim, pode resolver o problema. Cabe a cada um fazer sua parte. \n \nDiz o provérbio: \nDeus dá a árvore. Mas não racha a lenha! \n
Capítulo 1 \nSimplificando a Economia 11 \nCapítulo 2 \nFinanças Pessoais: Eis a Questão 15 \nCapítulo 3 \nOs Maiores Juros do Mundo 23 \nCapítulo 4 \nMas Afinal, Porque é Preciso Gastar? 29 \nCapítulo 5 \nAs Graves Conseqüências do Descontrole Financeiro 35 \nCapítulo 6 \nComo Investir seus Recursos Financeiros 41 \nCapítulo 7 \nTrate a Família como o seu Maior Empreendimento 47 \nCapítulo 8 \nO Comprador Compulsivo 67 \n \nConclusão 75 \n \nOs Autores 77 \n \nBibliografia 79 \n \n
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